UMA PRODUÇÃO DE JACKSON PEDRO VERAS

25 abril 2024

51 MOTIVOS PARA LER FERNANDO PESSOA


A imagem é auto explicativa, e eu me agarro ao direito de não dizer nada. Como se o silêncio forjado fosse o meu consolo presumido.

Delírios, nada além de delírios.

OS ECOS DE UM DESASSOSSEGO PRETÉRITO


Comecei a fazer alguns testes com a minha voz declamando o trecho 204 do Livro do Desassossego, no entanto, eu me lembrei que há onze anos tive a ideia de gravar um audio e postá-lo no YouTube. Foi engraçado ouvir o Jackson do passado, ou seja, de 2013, sob a ótica (digo, audição) de 2024. O importante é que o Pessoa viaja bem no tempo, e a sua magia transcende a cronologia dos mortais. 

POSSIBILIDADE DE CENÁRIO - PARTE II



Confesso que a luz de velas tem algo charmoso, pois apresenta um ar soturno que lembra funerais e celebrações de caráter mórbido e depressivo, apesar da relogiosidade contida em seu significado. A cera em derretimento e a luz que brota do pavio podem dialogar bem com o texto pessoano.

Penso que a escolha entre as hipóteses I e II pode ser difícil. É possível  que eu pense em uma outra opção...

POSSIBILIDADE DE CENÁRIO - PARTE I


Como a temática do meu projeto apresenta "nuvens" em uma abordagem extremamente subjetiva, pensei em um cenário mórbido, com nuvens escuras, em um cemitério. Não sei se consigo encontrar tal cenário, mas penso que o efeito catártico pode ser muito positivo (ou não).  

PRÓLOGO


Blog criado para registrar o passo a passo de um projeto artístico que tem como propósito a produção de um vídeo em que o trecho 204 do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, será declamado com o acompanhamento da música Anakin's Betrayal, de John Williams, em um cenário melancólico. A intenção é estabelecer um equilíbrio entre o ambiente e o conteúdo das manifestações artísticas utilizadas.

24 abril 2024

ANAKIN'S BETRAYAL - JOHN WILLIAMS

ANAKIN'S BETRAYAL - JOHN WILLIAMS 

TRECHO 204 - LIVRO DO DESASSOSSEGO


  

Nuvens... Hoje tenho consciência do céu, pois há dias em que o não olho mas sinto, vivendo na cidade e não na natureza que a inclui. Nuvens... São elas hoje a principal realidade, e preocupam-me como se o velar do céu fosse um dos grandes perigos do meu destino. Nuvens... Passam da barra para o Castelo, de ocidente para oriente, num tumulto disperso e despido, branco às vezes, se vão esfarrapadas na vanguarda de não sei quê; meio-negro outras, se, mais lentas, tardam em ser varridas pelo vento audível; negras de um branco sujo, se, como se quisessem ficar, enegrecem mais da vinda que da sombra o que as ruas abrem de falso espaço entre as linhas fechadoras da casaria. Nuvens... Existo sem que o saiba e morrerei sem que o queira. Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim, a média abstrata e carnal entre coisas que não são nada, sendo eu nada também. Nuvens... Que desassossego se sinto, que desconforto se penso, que inutilidade se quero! Nuvens... Estão passando sempre, umas muito grandes, parecendo, porque as casas não deixam ver se são menos grandes que parecem, que vão a tomar todo o céu; outras de tamanho incerto, podendo ser duas juntas ou uma que se vai partir em duas, sem sentido no ar alto contra o céu fatigado; outras ainda, pequenas, parecendo brinquedos de poderosas coisas, bolas irregulares de um jogo absurdo, só para um lado, num grande isolamento, frias. Nuvens... Interrogo-me e desconheço-me. Nada tenho feito de útil nem farei de justificável. Tenho gasto a parte da vida que não perdi em interpretar confusamente coisa nenhuma, versos em prosa às sensações intransmissíveis com que torno meu o universo incógnito. Estou farto de mim, objetiva e subjetivamente. Estou farto de tudo, e do tudo de tudo. Nuvens... São tudo, desmanchamentos do alto, coisas hoje só elas reais entre a terra nula e o céu que não existe; farrapos indescritíveis do tédio que lhes imponho; névoa condensada em ameaças de cor ausente; algodões de rama sujos de um hospital sem paredes. Nuvens... São como eu, uma passagem desfeita entre o céu e a terra, ao sabor de um impulso invisível, trovejando ou não trovejando, alegrando brancas ou escurecendo negras, ficções do intervalo e do descaminho, longe do ruído da terra e sem ter o silêncio do céu. Nuvens... Continuam passando, continuam sempre passando, passarão sempre continuando, num enrolamento descontínuo de meadas baças, num alongamento difuso de falso céu desfeito.

Solilóquios Existenciais

  Vídeo baseado na poesia de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa. Esta é a minha primeira gravação. O texto não foi lido, apenas...