Eu sempre olhei o interior do meu carro como um alongamento motorizado das minhas emoções. Foi dentro do veículo que eu recebi notícias grandiosas como o nascimento do meu filho e falecimento da minha mãe. Foi contemplando o meu rosto choroso que eu vislumbrei um horizonte incerto em um instante de sepação certa. Segurando o volante, eu ri, cantei e chorei.
Usarei o meu carro para o meu monólogo, mas não sei, ainda, se obterei a iluminação necessária e poética para a concretização dos meus propósitos. O meu monólogo, baseado em Tabacaria, do Fernando Pessoa, terá muito de mim mesmo, das coisas que assumo e das que escondo. Não há melhor lugar para isso do que o interior poético daquele carro vermelho, testemunha abissal das minhas angústias, confidente fiel das minhas misérias.

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